Usina de Letras: O plágio na era da internet (10.12.01)

O PLÁGIO NA ERA DA INTERNET

10/12/2001 - 19:00

Copiar trabalhos da internet virou um esporte

Por Arne Molfenter & Markus Göbel (DIE ZEIT online; Chancen 50/2001)
Trad.: José Pedro Antunes

As formulações eram idênticas. Palavra por palavra. Frase por frase. Parágrafo por parágrafo. O que Petra Taubert tinha à sua frente não eram novos conhecimentos científicos. "Cuidado: de novo o mesmo trabalho de casa", alertava a docente em e-mail enviado a todos os colaboradores científicos do Instituto de Ciências da Comunicação, em Munique. O trabalho de casa foi apresentado ao Instituto no semestre de inverno (1998/99), tendo recebido a nota 1,3 [Nota do Tradutor: 1 é a nota máxima na Alemanha]. Agora o trabalho "Zweistufenfluss der Kommunikation und das Meinungsführerkonzept" era apresentado em cópia pela terceira vez - a caminho de se tornar um best-seller.

Serviços de busca desmascaram os ladrões

Para os estudantes alemães, nunca foi tão fácil o roubo intelectual como na era da internet. Seja a "Aquisição de linguagem pelos chimpanzés", "A análise da cena da ducha no filme 'Psicose' de Alfred Hitchcock" ou "A história do chocolate" - em 'hausarbeiten.de' podem ser encontrados (download gratuito) mais de 17 000 textos de 190 especialidades. Outros sites, como o Diplomica de Hamburgo, pelo preço de 396 marcos, vendem cerca de 500 trabalhos monográficos ou de doutorado ao mês; estudantes pagam só a metade.

Aumento das energias criminosas, baixa noção de honra, mais cintura no trato com as coisas ou conseqüência lógica da revolução da internet? Não há números seguros para a Alemanha, sendo impossível detectar quantos estudantes praticam tais atos com a ajuda da internet. Nos EUA o quadro é outro: já em 1997, a Universidade da Califórnia, em Berkeley, anunciava um aumento nas tentativas de fraude: cerca de 744 por cento em apenas três anos. Chamou a atenção o caso de dois estudantes de Teologia, que entregaram, como trabalho de casa, textos copiados da internet. Um único erro: falta de acerto entre eles. Foi o professor quem lhes mostrou a verdade. Tinham copiado, ambos, o mesmo trabalho.

Agora, na caça aos plágios digitais, os farejadores acadêmicos recebem apoio da internet: cerca de 800 highschools e universidades americanas fazem uso do site de busca 'turnitin.com', que é capaz de comparar cada trabalho com 800 milhões de documentos da internet e, em poucos segundos, reconhecer qual parágrafo foi copiado.

Também na Austrália, na China e na Alemanha o serviço possui usuários regulares. 'Turnitin.com' ou sistemas de concorrência como Integriguard e o Essay Verification Engine apontam a fraude, ainda que 50 por cento do original tenham sido alterados.

Gunther Eysenbach, estudioso de medicina cibernética no Instituto de Medicina Social Clínica, Universidade de Heidelberg, e editor do Journal of Medical Internet Research, testa regularmente, pelo 'turnitin.com', as contribuições enviadas à publicação. E, com a mesma regularidade, ele constata: "Porque muitos médicos e doutorandos alemães têm problemas com a obrigatoriedade da publicação em inglês de seus resultados de pesquisa, são copiados, sem mais, parágrafos inteiros de textos americanos."

Quase ninguém é punido

Às vezes, se traduz também com muita aplicação: Manuel R. Theisen, presidente de uma instância avaliadora da área de economia da Universidade de Munique passou um dia inteiro a refletir por que lhe parecia tão conhecido um trabalho de doutorado que tinha em mãos. Nesse meio tempo, teve provas de que o doutorando havia traduzido para o alemão um trabalho do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Theisen testou também o 'turnitin.com' e não alimenta ilusões sobre a moral dos estudantes: "A aplicação de controles digitais e seu progressivo desenvolvimento é a única chance de desmascarar plágios, porque mesmo em pequenos âmbitos de estudo a quantidade de trabalhos é impossível de ser abarcada. Com relação aos trabalhos de seminários, já de há muito nos encontramos no prejuízo."

A razão principal para essa falta de noção da injustiça por parte dos estudantes alemães parece residir na ausência de punições. Quem é flagrado com trabalhos copiados, o mais das vezes só precisa renunciar ao certificado, sendo convidado a repetir aquele seminário. E isso não assusta os plagiadores. É muito diferente nos EUA, onde casos de fraude são tornados públicos em jornais universitários, sendo expulsos os estudantes infratores, ainda que, em vão, tenham investido milhares de dólares em sua formação. Também na Alemanha cresce o número de professores a exigir sanções mais duras - ao lado da expulsão, também a invalidação de diplomas e títulos de doutor

Mas não são apenas os trabalhos de conclusão de curso a estimular a cópia; o plágio é especialmente freqüente em cursos introdutórios, nos quais os mesmos conhecimentos básicos são transmitidos a cada ano. Assim, os docentes do Instituto de Ciências da Comunicação de Munique vivem a expectativa de saber se, neste semestre, pela quarta vez, algum estudante lhes fará chegar às mãos aquele mesmo trabalho "Zweistufenfluss der Kommunikation", tirado da internet...

DIE ZEIT 50/2001: Examensarbeit in fünf Minuten (6.12.01)

B E T R U G

Examensarbeit in fünf Minuten

Das Kopieren wissenschaftlicher Arbeiten aus dem Internet wird zum Sport

Arne Molfenter & Markus Göbel

Die Formulierungen waren identisch. Wort für Wort. Absatz für Absatz. Das waren keine neuen wissenschaftlichen Erkenntnisse, die Petra Taubert da vor sich liegen hatte. "Vorsicht: schon wieder dieselbe Hausarbeit", warnte die Dozentin daraufhin in einer E-Mail alle wissenschaftlichen Mitarbeiter des Münchner Instituts für Kommunikationswissenschaften. Die Hausarbeit war im Wintersemester 1998/99 am Institut erstellt und mit der Note 1,3 bewertet worden. Jetzt war der Zweistufenfluss der Kommunikation und das Meinungsführerkonzept bereits zum dritten Mal als Kopie eingereicht worden - auf dem Weg zum Bestseller.

Suchdienste enttarnen Diebe

Nie war geistiger Diebstahl für deutsche Studenten einfacher als im Internet-Zeitalter. Ob Spracherwerb bei Schimpansen, Die Analyse der Duschszene aus Alfred Hitchcocks Film "Psycho" oder Die Geschichte der Schokolade - bei hausarbeiten.de stehen über 17 000 Texte aus 190 Fachbereichen zum kostenlosen Herunterladen zur Verfügung. Andere Anbieter, wie Diplomica aus Hamburg, verkaufen über das Internet jeden Monat bis zu 500 Diplom- und Doktorarbeiten zum Preis von 396 Mark; Studenten zahlen die Hälfte.

Gesteigerte kriminelle Energie, weniger Ehrgefühl, mehr Ellenbogen oder logische Konsequenz der Internet-Revolution? Für Deutschland gibt es keine gesicherten Zahlen, wie viele Studenten mit dem Internet betrügen - anders sieht es in den USA aus: Die University of California in Berkeley meldete bereits 1997 eine Steigerung der Täuschungsversuche um 744 Prozent in nur drei Jahren. Aufsehen erregte der Fall von zwei Theologiestudenten in Berkeley, die eine Hausarbeit aus dem Internet abgegeben hatten. Ihr Fehler: mangelnde Abstimmung - erst ihr Professor machte sie darauf aufmerksam, dass beide dieselbe Arbeit kopiert hatten.

Jetzt bekommen die akademischen Bluthunde bei der Fahndung nach digitalen Plagiaten Unterstützung aus dem Internet: Bereits 800 amerikanische Highschools und Universitäten nutzen den Suchdienst turnitin.com, der jede hochgeladene Arbeit mit 800 Millionen Internet-Dokumenten vergleicht und in wenigen Sekunden erkennt, welcher Absatz abgeschrieben ist. Auch in Australien, China und Deutschland hat der Service regelmäßige Nutzer. Turnitin.com oder Konkurrenzsysteme wie Integriguard und die Essay Verification Engine weisen den Betrug auch dann nach, wenn bis zu 50 Prozent des Originals verändert wurden.

Gunther Eysenbach, Cybermediziner am Institut für klinische Sozialmedizin an der Universität Heidelberg und Herausgeber des Journal of Medical Internet Research, überprüft regelmäßig Beiträge für sein Magazin mit turnitin.com. Und genauso regelmäßig stellt er fest: "Weil viele deutsche Ärzte und Doktoranden mit der obligatorischen englischen Veröffentlichung ihrer Forschungsergebnisse Probleme haben, werden hemmungslos ganze Absätze aus amerikanischen Texten kopiert."

Kaum einer wird bestraft

Manchmal wird auch fleißig übersetzt: Tagelang überlegte Manuel R. Theisen, Vorsitzender des Prüfungsamtes für Betriebswirtschaft an der Universität München, warum ihm eine vorgelegte Doktorarbeit so bekannt vorkam. Inzwischen hat er Beweise, dass der Doktorand eine Arbeit des Massachusetts Institute of Technology (MIT) ins Deutsche übertragen hat. Auch Theisen hat turnitin.com getestet und macht sich keine Illusionen über die Moral der Studenten: "Der Einsatz digitaler Kontrollen und ihre Weiterentwicklung ist die einzige Chance, Plagiate zu entlarven, weil selbst in kleinen Fachbereichen die Menge der Arbeiten unüberschaubar ist. Bei Seminararbeiten stehen wir schon längst auf verlorenem Posten."

Der wichtigste Grund für das fehlende Unrechtsbewusstsein deutscher Studenten scheint der Mangel an Strafen zu sein. Wer beim Kopieren der Hausarbeit auffliegt, muss meist lediglich auf seinen Schein verzichten und kann das Seminar noch einmal belegen. Abschreiber schreckt das nicht. Ganz anders in den USA, wo Betrugsfälle in den Uni-Zeitungen publik gemacht und die Studenten exmatrikuliert werden, selbst wenn sie dann vergeblich zigtausend Dollar in ihre Ausbildung investiert haben. Auch in Deutschland wächst die Zahl der Professoren, die härtere Sanktionen fordern - neben der Exmatrikulation auch die Aberkennung von Diplomen und Doktortiteln.

Doch nicht nur Abschlussarbeiten reizen zum Abschreiben; besonders häufig wird in Einführungskursen plagiiert, bei denen jedes Jahr dasselbe Grundwissen vermittelt wird. So sind die Dozenten des Münchner Instituts für Kommunikationswissenschaften schon gespannt, ob in diesem Semester zum vierten Mal ein Student die im Internet bereitstehende Hausarbeit über den Zweistufenfluss der Kommunikation einreicht ...

© DIE ZEIT 50/2001, 6. Dezember 2001

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